sábado, 25 de maio de 2013

Trecho: A Chave da Magia.

A Chave da Magia
PRÓLOGO:

Sabe qual a sensação de sua mente estar acordada enquanto seu corpo luta para dormir? Aquela noite não deveria ser diferente das demais, ultimamente eu estava sofrendo de insônia, e com pesadelos horríveis. Eram coisas de outro mundo, pessoas com capas negras que lançavam magias de varinhas mágicas, coisas bem surreais. Coisas que somente aqueles autores de livros de fantasia tinham em mente, a mesma sensação de ler um livro da autora Britânica J.K. Rowling pela primeira vez. Era a mesma sensação de magia que transbordava de meu sonho. Aquilo me parecia tão real que me fazia acordar sufocado no meio da noite. Meu corpo lutava para desligar meu cérebro, mas era quase que impossível, o sonho martelava na minha mente, era frequente, estava se repetindo havia uma semana. Meus olhos abriram-se abruptamente quando uma magia foi lançada em minha direção, aquele com certeza havia sido mais real que os demais sonhos. Meu corpo estava pingando em suor, mesmo com a janela do quarto aberta. Sentei-me sobre a cama ofegante, puxei minhas pernas para perto do meu tronco e fiquei pensativo encarando minha estante de livros. O relógio digital que estava sobre o criado-mudo ao lado de minha cama marcava meia noite. Uma hora nada agradável para se ter pesadelos. Por que o sonho daquela noite havia sido diferente? Por que o mesmo sonho todas as noites? Minha mente estava tão preguiçosa assim que não conseguia fabricar novos sonhos? Várias perguntas começaram a se formar em minha mente. Meneei a cabeça afastando aqueles pensamentos de minha cabeça. Resolvi deitar-me novamente para tentar dormir.
         Eu estava quase fechando meus olhos quando uma luz vinda de minha estante de livros começou a brilhar dentro do meu quarto. Iluminando todo o quarto, iluminando os lençóis brancos de minha cama. Olhei rapidamente para a estante e apenas um livro de lá brilhava. Ele tremia, e tentava sair da estante, quase como algo que tivesse vida. Logo ele conseguiu seu objetivo e começou a flutuar em minha direção, eu estava assustado, eu não sabia o que fazer. Gritar iria acordar meus pais. Então estava fora de cogitação. Até ali a cena não oferecia nenhum perigo. Era apenas um livro flutuando em minha direção, meio previsível não acha? Claro que não. Eu e meus pensamentos irônicos. Encolhi-me sobre a cama, o livro continuava a vir em minha direção. Esfreguei os olhos, aquilo poderia ser uma alucinação, ou quem sabe um sonho lúcido? Eu havia lido sobre aquilo em algum lugar. Mas como era possível sonhar acordado? Isso eu não sabia exatamente como, se era que eu estava acordado. O livro estava ficando cada vez mais próximo, parando fronte a mim. Algo em minha mente dizia que eu devia estender minhas mãos, e eu obedeci.
O livro repousou sobre meus braços. Ele era meio envelhecido, parecia empoeirado. A capa tinha uma cor de papel velho ornamentado com cantoneiras brilhantes parecidas com ouro. Aquilo poderia ser ouro, ou era apenas algo semelhante? Na capa havia um pentagrama com asas cheias de penas estampados. Aquilo era um símbolo que eu nunca havia visto em minha vida, mas não ignorei. A curiosidade tomou conta de mim. Havia uma tranca de ouro que selava o livro, evitando que qualquer um pudesse abrir. Realmente aquilo estava travado, e só poderia ser aberto com algum tipo de chave. Que legal, um livro trancado que flutua. Pensei.
Uma corrente em meu pescoço começou a erguer-se. Havia uma corrente em meu pescoço antes? Eu não conseguia lembrar-me se ela estava ali antes, era estranho. Muitas coisas estranhas estavam acontecendo naquela noite, teria aquelas coisas a ver com o sonho? Se não bastasse ter uma corrente de prata em meu pescoço que flutuava ainda havia um pingente em formato de chave nele. A Chave flutuava em direção ao livro. Ambos estavam conectados por algo que eu não conseguia saber. Por um momento todas as peças começaram a se encaixar. Aquela chave poderia abrir o livro estranho. Retirei a corrente de meu pescoço e coloquei a chave na fechadura do livro. Girei-a duas vezes, e o livro abriu-se abruptamente. Suas folhas brilhavam. Um Cheiro de lavanda delicioso tomou conta do quarto, quando eu abri o livro. Na primeira página havia umas inscrições que eu não conhecia, parecia um idioma antigo que eu não tinha conhecimento. Era latim.
“Sed virtus lucis ad perspiciendum est huius. Modo electus cum notis supinus.”
Uma pontada de dor atingiu minhas costas. Era como se estivesse queimando, apenas um ponto, mas logo se alastrou como se minha carne queimasse, a queimação aumentava de acordo com o aumento da mancha. Fogo sem fumaça, fogo dolorido, fogo sem cheiro. Saltei da cama, acendi a luz e retirei minha camisa rapidamente. Aquilo queimava e eu abafava os gritos de dor, explicar aquela dor para meus pais seria demasiado complicado. Corri para frente do espelho grande. Minha pele branca estava vermelha manchada por linhas negras. Aquelas linhas moviam-se e aumentavam, como se minhas costas fossem uma tela branca diante de um pintor. As linhas só aumentavam e com elas a dor, estava sentindo como se um ferro quente estivesse rompendo minha carne. Peguei minha camisa e coloquei entre meus dentes cerrados, eu não podia gritar. O desenho negro em minhas costas estava se estabilizando, o desenho de traços negros em minhas costas era um par de asas angelicais, todas as penas estavam bem desenhadas e vívidas em minhas costas. A queimação havia cessado, a vermelhidão desaparecido, restava apenas a tatuagem estampada em minha pele. Como explicar aquilo para seus pais? Oi mãe, essa tatuagem apareceu em minhas costas. Mesmo repetindo aquilo várias vezes, em minha mente aquilo não soava convencional. Teria muito a explicar, ou muito a mentir. Meus pais nunca foram as pessoas mais compreensíveis do mundo. Coloquei a camisa novamente, afinal, de agora em diante eu teria que usar camisa todo o tempo em casa. Nada de nadar de shorts na piscina em dias de calor. Aquilo não me soava justo.
Retornei para a cama, como se nada tivesse acontecido. O livro continuava aberto sobre a minha cama. Fitei-o mais uma vez e algo me chamou a atenção. As inscrições que antes estavam ilegíveis agora estavam compreensíveis.  Apressei-me a ler, havia escrito a seguinte frase:
“Somente um ser de luz poderá entender as virtudes desse livro. Somente o escolhido, aquele com marcas nas costas.”
A frase me deixou ainda mais assustado. A tatuagem em minhas costas, a chave e o livro estavam conectadas entre si. Mas por que aquela noite? Quando toquei o livro mais uma vez, senti uma luz em minhas costas, era como se as marcas em minhas costas brilhassem e o livro brilhava junto com as mesmas. Uma bola de luz saltou do livro, ela começou a moldar-se em cilindro e depois em uma vareta. Estendi minha mão direita até aquele corpo luminoso e agarrei-o. Em minhas costas a tatuagem tornou-se asas de penas brancas e lindas. E o corpo luminoso em uma varinha de mogno, semelhante às varinhas usadas pelos seres em meu sonho. Não sabia se a cena poderia ficar mais estranha. Quando ouvi passos no corredor adjacente ao meu quarto, fechei rapidamente o livro, levantei-me rapidamente e larguei a varinha e o livro sobre minha escrivaninha. As asas em minhas costas desapareceram, então apaguei a luz e cobri todo o meu corpo com o lençol, fingindo dormir.
Um livro mágico, uma varinha, uma chave e uma tatuagem, aquilo era demasiado para apenas uma noite. Sonhos estranhos podem causar essas coisas. Desliguei meu cérebro, conseguindo finalmente dormir. Dessa vez sem sonho ou pesadelo algum. 
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Espero que gostem, esse é o prólogo do meu próximo livro. 

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