segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O dia do perfeccionismo

Entregue aos braços do sono e do tédio, entre prateleiras enormes de uma livraria, em uma busca desesperada por algum entretenimento. Joguei bolas negras em papel rosa, sem esperança alguma, com tanto sono que as bolas pareciam dançar sobre o papel.
Peguei o carro sem rumo, em busca de lugares estranhos. Percorri caminhos estranhos que direcionavam ao cerne da minha alma, mas que alma, cheia de cacos, tão quebrada que roubaram-me as vogais, agora tenho uma “lm”, e se tenho...
Voltei a invejar casais, vendo o quanto de química e física eles têm. Mas que droga, acho que por isso sempre odiei essas matérias. Talvez eu seja apenas um narrador em terceira pessoa, sempre observando e narrando, nunca participando, mas o que isso tem a ver com exatas? O que tem a ver com natureza? Talvez... Creio que me falta algo. Talvez química, talvez física, talvez tudo.
Sempre julguei aquelas pessoas que juravam amor eterno a estranhos, talvez no fundo eu as entenda, sabe? É tão chato quando o “nosso” eterno só dura o tempo que demoramos para pronunciar a palavra. E se eu soletrar? E-T-E-R-N-O. Talvez dure mais, talvez eu comece a tatear e gaguejar as letras. Apenas para demorar mais tempo.

Talvez eu termine com um E-T-E-R...