Ela achara amor em um canto sem esperança. Mas será que era amor? Ela não sabia. Vivia confusa, vivia sombria, vivia pensativa, vivia absorta. Alexia vivia choramingando pelos cantos, chorava, esperneava, era dramática. Certa vez ficara horas e horas no chão, absorta em sua vida, se achava ridícula, se odiava, se repudiava. Mas sempre se perguntava: E o amor? Ela novamente não tinha respostas... Isso a fazia infeliz? Talvez não, sempre fora tão fragilizada e quebrada na vida que não ser amada era o de menos.
Não gostava de sentir-se por baixo, gostava de se exibir, dançava entre quatro paredes e sonhava cenas românticas, mas também cenas lascivas. Mas que garota não tinha sonhos lascivos? Alexia não se diferenciava de muitas. Achava-se feia, embora muitos a acharem linda, mas ela sempre pensava que era por pura pena. Achava-se gorda, embora estivesse abaixo do peso, com cara de doente. Mas quando olhava no espelho, se questionava o porquê de sua existência. O porquê de não ter um namorado que a amasse, se muitas tinham um e exibiam a esmo. Algumas até esfregavam em sua cara que eram amadas, e ela se sentia por baixo, não gostava disso, queria se vingar. Mas Alexia nunca foi vingativa, sempre cogitara, sempre imaginara, mas nunca praticara.
Naquele dia estava cansada de tudo, decidiu não fazer nada, fugiu de sua realidade, leu um poema, leu o mesmo livro pela milésima vez, tomou um banho e checou seu celular, ninguém lhe mandara uma sms, sentia-se deprimida por isso. Ela queria atenção e queria carinho, mas não se pode tudo, certo? Mas o que ela tinha? Nada! Pelo menos achava que tinha um monte de nada, sentindo-se tão atraente quando um cabo de vassoura. Tão sem curvas e reta quanto um tábua. Ela era insegura, por isso chorava pelos cantos, amava alguém, mas esse alguém não a amava, mais uma decepção para sua coleção. Ela já estava acostumada a colecioná-las. Com um certo sorriso torto abrira seu álbum de recordação, cada menino, cada sorriso ao seu lado, cada mentira contada estava estampada nos rostos dos garotos, que ela entregara seus beijos, entregara suas carícias, e entregara seu mundo. Vivera em função deles, mas arrependera-se, agora só tinha fotos, cada menino, cada possibilidade, cada vida que ela imaginara ser eterna. Pobre, Alexia, tudo platônico. Tão inocente, mal sabia que o destino de um relacionamento não dependia dela, mas dependia do babaca que sorria ao lado dela. Olhava com certo pesar, chegando a imaginar se um dia seria feliz. Aquele era o álbum de fotos, o álbum onde ela colecionava decepções. Pegou um envelope, de dentro tirou uma fotografia recém tirada e então adicionara à coleção. Mais uma decepção, ao invés de romper-se em lágrimas ela sorrira. Quebrara-se tantas vezes que já nem sentia dor alguma, apenas arrepios das melhores memórias de sua vida. Tudo em vão, tudo em vão. Seu coração estava mais uma vez no chão.