segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O dia do perfeccionismo

Entregue aos braços do sono e do tédio, entre prateleiras enormes de uma livraria, em uma busca desesperada por algum entretenimento. Joguei bolas negras em papel rosa, sem esperança alguma, com tanto sono que as bolas pareciam dançar sobre o papel.
Peguei o carro sem rumo, em busca de lugares estranhos. Percorri caminhos estranhos que direcionavam ao cerne da minha alma, mas que alma, cheia de cacos, tão quebrada que roubaram-me as vogais, agora tenho uma “lm”, e se tenho...
Voltei a invejar casais, vendo o quanto de química e física eles têm. Mas que droga, acho que por isso sempre odiei essas matérias. Talvez eu seja apenas um narrador em terceira pessoa, sempre observando e narrando, nunca participando, mas o que isso tem a ver com exatas? O que tem a ver com natureza? Talvez... Creio que me falta algo. Talvez química, talvez física, talvez tudo.
Sempre julguei aquelas pessoas que juravam amor eterno a estranhos, talvez no fundo eu as entenda, sabe? É tão chato quando o “nosso” eterno só dura o tempo que demoramos para pronunciar a palavra. E se eu soletrar? E-T-E-R-N-O. Talvez dure mais, talvez eu comece a tatear e gaguejar as letras. Apenas para demorar mais tempo.

Talvez eu termine com um E-T-E-R... 

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Deal!

Aqui estamos mais uma vez, de um lugar que eu nunca deveria ter abandonado. Droga, sou um péssimo amigo, desculpa, blog. Em momentos de desespero e tristeza eu lembro que tu existe.
Tenho de confessar que queria entender o UNIVERSO, não Ele em si, mas as atitudes que Ele toma. Às vezes eu acho que quando mais ruim a pessoa é, mais ela consegue TUDO o que ela quer. Sabe... aqueles intentos que elas cobiçam e que faz inveja (creio que seja uma palavra muito forte, mas acho que não tem outro nome), nas pessoas, ou talvez elas estejam tão ocupadas com sua mediocridade que talvez nem notem isso que vos falo. Mas que diabos! Queria saber por que isso importa tanto? Droga, você está sendo fútil, e você, VOCÊ, MEU CARO, não nasceu para ser fútil, nasceu para ser invisível. Na verdade talvez eu seja, de fato.
Escondendo a baixa autoestima com coisas superficiais, procurando seu mínimo defeito para tentar consertá-lo, para não deixar que vejam e que lhe julguem por isso, mas lhe julgarão de qualquer forma... poxa, isso é tudo uma droga. Me escondo e me reprimo, deixando de mostrar ao mundo quem eu realmente sou, e o que eu realmente penso... isso é horrível. É doloroso. A começar pelo fato de eu estar desabafando subjetivamente com "alguém", Hahahahaha, alguém vulgo MEU BLOG. Deveria escolher uma pessoa de verdade, mas chega de amolar o mundo com meus problemas, ninguém precisa de importar o dizer que eu devo tomar tal caminho ou saída. LIDE COM ISSO SOZINHO!

sábado, 18 de janeiro de 2014

Dizem que 10 é um bom número, eu discordo.

Creio que a essa altura todos já notaram que eu só venho aqui quando estou chateado, triste ou desapontado. Mas creio que talvez seja isso... Meu blog é como uma casa para mim. E eu, como todos os humanos no mundo, procuro minha "casa" quando estou triste. E aqui, é que encontro minha casa.
Os motivos que me levam a essa '"tristeza" são:
1. Incerteza: Nem tudo é certo até ser certo. Entende?
2. Confusão: Minha mente não está muito sadia...
3. Frustração: Estou desapontado com coisas materiais. O quão fútil isso é?
4. Futilidade: Eu não gosto de me sentir fútil.
5. Capitalismo: É isso mesmo... Não vou explicar o porquê.
6. Sentimentalismo: Está tudo uma confusão aqui, não consigo escrever algo decente.
7. Contradição: Eu disse que não conseguia escrever algo decente. Mas cá estou.
8. Acreditar: Hahahaha.... venho acreditando em algo tão distante... Até pensei que fosse humano.
9. Espera: Odeio esperar... Odeio. Odeio. Odeio. x1000.
10. Ansiedade: Estou comendo desenfreadamente sendo consumido por minha ansiedade.

Eu poderia continuar escrevendo meus "problemas", que nem chegam a ser problemas. Mas enfim... lide com isso... agora! Agora mesmo... Pare de agir como um babaca que só espera que tudo em sua vida se resolva enquanto você fica aí parado sem fazer NADA. Mova-se. Construa seu próprio mundo. Leve seis dias e descanse no sétimo.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Aquele velho blah, blah, blah.

Não, eu não abandonei meu mundo. Nem vou. Gosto de vir aqui, gosto de me ler. Gosto de ver o quanto eu cresci. Gosto de lembrar tudo o que aqui fora escrito. Esse é meu mundo, de verdade. Não posso dá as costas a ele. Nem muito menos ignorá-lo.
Esse é o lugar que eu costumo vir, quando nada nessa vida faz sentido. E de fato, eu tentei (e continuo tentando), achar algum sentido. Mas não, não estou cansado. É só que às vezes não tenho resposta para nem metade das perguntas que eu tenho.
E eu, fruto de um signo que é taxado com o pior de todo o zodíaco precisa de algumas respostas. Eu sei que escrever para um blog, ou ficar enchendo os outros com perguntas tolas não vão me dar respostas. Mas aqui vos escrevo, para que no futuro. Talvez nos próximos meses, eu volte aqui, neste lugar e me questione novamente se tenho as respostas que eu procurava nessa época.
Sim, é como você deve está pensando, então ele escreve o presente para no futuro achar o que procura. Mas oi? Não entendi o que eu disse. Está confuso, está confuso, está louco, está insano. Mas minha mente é assim. Ela anda assim. Mas fazer o quê? Continuo a procurar por respostas. Sabendo que talvez não as terei.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Talvez...

Alexia não era o tipo de garota que reclamava da vida. Ela tinha tudo o que queria, boa educação, boas roupas e tudo aquilo que meninas de classe média tinham. Mas ela reclamava de outra vida, sua vida amorosa era uma droga. Sempre se apaixonara pelo cara errado, nunca pelo cara que estava disposto a fazê-la feliz embora nunca tenha aparecido um —, mas era típico dela. Alguns viam como masoquismo de sentimentos, outros como submissão. Mas ela ignorava a todos. Não importa o quão tentasse fugir, sempre se apaixonaria pelo cara errado.
         Talvez eu seja a garota errada, cogitara.
         Era mais de meia-noite, a rua de sua casa estava vazia, apenas o barulho da selva de pedra — buzinas, sirenes e ronco de motor —, ela gostava daquela sinfonia. Não entendia por que passava horas olhando pela janela, pensava que algo em sua vida fosse mudar se o fizesse. Mas nada mudava, ela sempre continuava sendo ela mesma. Se sentia patética, queria ser diferente.
         Depois de perceber que seu esforços ao olhar para lua eram em vão, ela resolveu deitar-se. Seu quarto era como o quarto de toda garota da idade dela, não era cor-de-rosa, era branco, gostava do ar de paz que as paredes passavam. Perdera as contas de quantas vezes chorara encostada naquelas paredes. Sentou-se à cama, apagou a luz e pegou seu celular que ficava embaixo de seu travesseiro.
         Alexia costumava checar suas mensagens, sempre esperava que alguém fosse puxar assunto com ela em sua página pessoal em uma rede social. Mas esperava em vão, assim como esperava que a lua desse as respostas para suas lamúrias.
         — Talvez eu não seja conversável — disse a si mesma, após checar todas suas mensagens. Havia apenas mensagens de seus colegas de classe e de sua melhor amiga.
         Ela tinha uma melhor amiga, por incrível que parecesse, ela tinha uma. Ela sempre fora taxada como antipática e chata, mas ela tinha uma amiga. Isso era como uma vitória. Sempre pensara que simpatia fosse praticada por interesse, e que sempre teria de dar algo em troca se recebesse alguma simpatia. Mas ela não conseguia ser simpática — bem, ela tentava.
         Olhou o feed de notícias, com um olhar cansado e um olhar de quem não poderia esperar muita coisa. O olhar de sempre. Não tinha animação para quase nada, somente para fotografar, afinal, era sua paixão. Alexia amava fotos, já havia construído vários álbuns. Cada álbum era especial.
         Seus olhos foram de encontro a uma foto. À primeira vista ela sorriu, pois a foto estava bonita, e como fotógrafa tinha de admitir que os modelos eram lindos. Ela gostava de pensar que fotos tinham almas, e que o fotógrafo era quem capturava a alma, e a passava para a fotografia.
         — Perfeitos! — murmurou ainda com um sorriso satisfeito em seu rosto.
         Na foto havia um casal, no meio de um gramado, abraçados, rostos colados como quem havia acabado de trocar um beijo. Fotos eram sua paixão, mas eram também sua perdição. Uma lágrima brotou em seu rosto.
         — Até quando? — perguntou-se.
         A foto trazia à tona memórias que ela desejava que estivessem enterradas. Ela se vira como a fotógrafa, e não como a moça feliz. Para ela, nunca seria feliz daquele jeito, sempre seria amaldiçoada a capturar a felicidade alheia em suas fotos.
         — Até quando? — indagou entre soluços de seu choro, olhando para o teto de seu quarto. As estrelinhas que absorviam a luz da lâmpada e iluminavam o teto branco de seu quarto, era o que ela tinha de mais infantil. Era como uma luz em sua vida sombria.
         Seu rosto caiu sobre o travesseiro. Seus fones de ouvido estavam sobre o criado mudo. O MP3 estava tocando, o som ribombava baixinho, perto de seu travesseiro. Christina Perri cantava Jars of Hearts, perdera as contas de quantas vezes chorara escutando aquela música. Colocou os fones em seus ouvidos e aproveitou a melodia triste para debulhar-se mais ainda em lágrimas. Pobre Alexia, chorava lágrimas tão pesadas que chegavam a doer.
         Pobre Alexia, sofria em silêncio. Lamentava não ser amada, mas também lamentava não amar a si mesma. Nunca entendera o porquê de tudo aquilo. Por que tudo aquilo lhe fazia falta?
         Os cabelos ruivos escorriam e grudavam em seu rosto molhado por lágrimas. Seu rosto antes branco, agora estava vermelho, o sangue queimava em suas bochechas. Ela odiava a solidão, mas fora castigada a sofrer no silêncio da noite, sufocada em seus próprios sentimentos platônicos.
         Uma vez ouvira: “Você colhe o que planta”, se esse fosse o caso ela havia sido uma pessoa horrível anteriormente, pois ultimamente apenas colhia coisas ruins. Ela estava de luto, não que alguém tivesse morrido, mas ela lamentava, — do fundo de seu peito—, os sonhos que haviam morrido quando levara seu último “fora”. Pobre Alexia, chorava sem consolo.
         — Por quê? — questionava-se.
         Chorou mais forte, sufocou seus gritos no travesseiro, lamentou várias vezes, arrependeu-se cem vezes, morrera mil vezes. Até que sua mente se apagou, ela estava dormindo. Dormir era quase como um alívio para sua dor, um alívio para a dor em seu peito. Ela não queria morrer, não tinha coragem suficiente para isso, mas não queria viver sofrendo, mas apegava-se a uma gota de esperança: Seus sonhos.
         Dona de seu próprio mundo. Governante de suas vontades. Rainha de seus desejos. Mestra de seus próprios sonhos. Sonhava com um romance perfeito, mas novamente acordaria chorando. Era tudo sonho, era tudo sonho. Sendo assim.
         Ela queria dormir para sempre.

Trecho de "As fotografias de Alexia". SARFATI, Jairo. 

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O que eu quero?

É bem simples, creio que não peço muito: eu quero ser feliz. Mas quando digo felicidade, não digo momentâneas; Mas a felicidade que quero, está resumida em alguns atos. Atos que são desejos. Desejos que são metas. Metas que são profundas. 

Quero trabalhar com o que amo, caçar sonhos, semear ideias e colher alegria. Quero estabilidade, quero viajar, quero amar, quero jogar, quero errar, mas quero aprender com meus erros. Quero casar, viajar pelo mundo, ter duas filhas, as quais já imagino os nomes. Quero relaxar em um parque qualquer, assistir o pôr do sol, sentado na grama, ao lado de quem amo. Quero roubar suspiros, sorrisos e inspirações. 
Quero ver meus filhos criarem sonhos, quero vê-los crescer, e quem sabe ser avô? Quero envelhecer com que amo, quero poder dizer "Eu te amo", do amanhecer ao pôr do sol. Quero ser daqueles velhinhos que reviram o passado em álbuns de fotografia. Quero poder olhar para trás e ver que realizei tudo o que queria. Quero um fim de tarde, com o vento em meus cabelos grisalhos, mãos dadas, e ter a certeza que ainda amo quem eu me casei. 
Não peço um "E viveram felizes para sempre", mas um "E viveu como ele queria". 
É isso que quero, mas não ficarei aqui parado, correrei atrás de meus sonhos e alcançarei minhas metas.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

As fotografias de Alexia

Ela achara amor em um canto sem esperança. Mas será que era amor? Ela não sabia. Vivia confusa, vivia sombria, vivia pensativa, vivia absorta. Alexia vivia choramingando pelos cantos, chorava, esperneava, era dramática. Certa vez ficara horas e horas no chão, absorta em sua vida, se achava ridícula, se odiava, se repudiava. Mas sempre se perguntava: E o amor? Ela novamente não tinha respostas... Isso a fazia infeliz? Talvez não, sempre fora tão fragilizada e quebrada na vida que não ser amada era o de menos.
Não gostava de sentir-se por baixo, gostava de se exibir, dançava entre quatro paredes e sonhava cenas românticas, mas também cenas lascivas. Mas que garota não tinha sonhos lascivos? Alexia não se diferenciava de muitas. Achava-se feia, embora muitos a acharem linda, mas ela sempre pensava que era por pura pena. Achava-se gorda, embora estivesse abaixo do peso, com cara de doente. Mas quando olhava no espelho, se  questionava o porquê de sua existência. O porquê de não ter um namorado que a amasse, se muitas tinham um e exibiam a esmo. Algumas até esfregavam em sua cara que eram amadas, e ela se sentia por baixo, não gostava disso, queria se vingar. Mas Alexia nunca foi vingativa, sempre cogitara, sempre imaginara, mas nunca praticara.
Naquele dia estava cansada de tudo, decidiu não fazer nada, fugiu de sua realidade, leu um poema, leu o mesmo livro pela milésima vez, tomou um banho e checou seu celular, ninguém lhe mandara uma sms, sentia-se deprimida por isso. Ela queria atenção e queria carinho, mas não se pode tudo, certo? Mas o que ela tinha? Nada! Pelo menos achava que tinha um monte de nada, sentindo-se tão atraente quando um cabo de vassoura. Tão sem curvas e reta quanto um tábua. Ela era insegura, por isso chorava pelos cantos, amava alguém, mas esse alguém não a amava, mais uma decepção para sua coleção. Ela já estava acostumada a colecioná-las. Com um certo sorriso torto abrira seu álbum de recordação, cada menino, cada sorriso ao seu lado, cada mentira contada estava estampada nos rostos dos garotos, que ela entregara seus beijos, entregara suas carícias, e entregara seu mundo. Vivera em função deles, mas arrependera-se, agora só tinha fotos, cada menino, cada possibilidade, cada vida que ela imaginara ser eterna. Pobre, Alexia, tudo platônico. Tão inocente, mal sabia que o destino de um relacionamento não dependia dela, mas dependia do babaca que sorria ao lado dela. Olhava com certo pesar, chegando a imaginar se um dia seria feliz. Aquele era o álbum de fotos, o álbum onde ela colecionava decepções. Pegou um envelope, de dentro tirou uma fotografia recém tirada e então adicionara à coleção. Mais uma decepção, ao invés de romper-se em lágrimas ela sorrira. Quebrara-se tantas vezes que já nem sentia dor alguma, apenas arrepios das melhores memórias de sua vida. Tudo em vão, tudo em vão. Seu coração estava mais uma vez no chão.