Entregue aos
braços do sono e do tédio, entre prateleiras enormes de uma livraria, em uma
busca desesperada por algum entretenimento. Joguei bolas negras em papel rosa,
sem esperança alguma, com tanto sono que as bolas pareciam dançar sobre o
papel.
Peguei o carro sem rumo, em busca
de lugares estranhos. Percorri caminhos estranhos que direcionavam ao cerne da
minha alma, mas que alma, cheia de cacos, tão quebrada que roubaram-me as
vogais, agora tenho uma “lm”, e se tenho...
Voltei a invejar casais, vendo o
quanto de química e física eles têm. Mas que droga, acho que por isso sempre
odiei essas matérias. Talvez eu seja apenas um narrador em terceira pessoa,
sempre observando e narrando, nunca participando, mas o que isso tem a ver com
exatas? O que tem a ver com natureza? Talvez... Creio que me falta algo. Talvez
química, talvez física, talvez tudo.
Sempre julguei aquelas pessoas
que juravam amor eterno a estranhos, talvez no fundo eu as entenda, sabe? É tão
chato quando o “nosso” eterno só dura o tempo que demoramos para pronunciar a
palavra. E se eu soletrar? E-T-E-R-N-O. Talvez dure mais, talvez eu comece a
tatear e gaguejar as letras. Apenas para demorar mais tempo.
Talvez eu termine com um
E-T-E-R...
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