segunda-feira, 6 de maio de 2013

Conto: O Chamado de uma Fada



Carolina havia acabado de chegar ao shopping, como de costume ela andou até a sorveteria comprou um sorvete. Aninhou o livro de “As Brumas de Avalon” debaixo do braço e começou a andar pelo shopping tomando seu sorvete. Ela sentou-se em um banco em frente a uma loja de roupas, guardou o livro na bolsa, jogou o guardanapo no lixo e ficou olhando para os modelitos que estavam expostos à vitrine. Ela imaginava-se os trajando, ela adorava moda, mas aquilo era comum à toda menina. Seu corpo não era tão voluptuoso quanto os corpos daquelas modelos de revistas de moda, mas ela reservava curvas e delicadeza. Ela era linda, uma beleza de outro mundo. Ela havia acabado de completar 20 anos e já se sentia mulher adulta e resolvida, embora a muito não trabalhasse, ela havia deixado seu emprego há pouco. Pois queria dedicar-se mais ao seu dom. 
 Ela entrou na loja, pegou algumas roupas e foi ao vestiário experimentá-las. Depois de colocar uma blusa de cor amarela, arrumou seus cabelos louros cacheados em suas costas. Ela sentia-se linda. Mais do que já era. Após decidido, foi ao caixa e pagou pela blusa. Saindo com sua sacola de papel, aquilo era "o poder" para algumas mulheres, ela se sentia "o máximo". Continuou caminhando pelo shopping, e parada em frente a uma loja, ela sentia uma sensação estranha em seu corpo, era algo na loja que a chamava.
Aquela era uma loja de esoterismo, as vitrines estavam cheias de santos, cristais estranhos e joias. Ela não entendeu o que sentia, mas uma voz a convidava a entrar. Ela o fez. Observando muitos relógios nas paredes e os móveis vitorianos que enfeitavam a loja. O aroma de incenso fazia-lhe sentir-se calma. Havia uma mesa vitoriana com cadeiras rococó. Ela sentou-se e brincou com os cristais do pequeno abajur que estava sobre a mesa. Ela não escutava mais "o convite", mas continuava ali. Ela se sentia confortável com os aromas da loja. Seus olhos vagaram ao redor da loja. Ao olhar para uma estante ao lado, viu muitas estátuas de fadas, por um momento ela imaginou uma história de amor entre uma fada e um humano, outrora a história de amor fora entre um bruxo e uma fada, ela era uma menina bem fantasiosa, mas tinha um talento incrível. Retirou de sua bolsa o exemplar de "A Senhora da Magia" e ficou lá, calma, lendo, mas novamente escutara a voz. Quando olhou para o lado novamente deu de cara com as fadas, e viu uma fada tão loura quanto ela e tão linda quanto. Ficou observando para a mesma por horas e por um momento sentiu que a mesma havia se movido. Ela deixou a imaginação viajar, sua mente já estava em outra realidade, e por um momento viu a fada loura beijando um homem moreno e bonito. Não demorou muito e ela já tinha atribuído-os nomes. Ela vira uma história de amor, mas bem complicada.
Novamente voltou àquela realidade e olhou para a fada parada. Aumentando seu campo de visão ela pôde ver ramos negros nos braços da fada, e então se questionou o porquê daquela fada ter tatuagens.
As asas eram divertidas e lindas, mesmo sendo parte de uma estátua elas demonstravam toda a fragilidade das mesmas. Ela é linda, pensava Carolina. Novamente fantasiou e viu outra fada, mas aquela era diferente, vestia-se com uma mortalha, tinha olhos laranjas em fogo e parecia má. Ela estava dando medo à fada loura, que ela havia chamado de Sophia. Que não se deixou abater pelo medo que a fada lhe dava.
Novamente voltou à realidade e começou a pensar no que vira. Era uma vilã, sua história tinha uma vilã, e então começou a pensar e pensar, logo já tinha um nome para sua vilã.
E num ato final de fantasia ela viu o homem moreno, que ela havia chamado de William, beijando a fada em um círculo cheio de flores. Era um lindo festival de primavera, pensou. Era aquele o final da história? Perguntou-se. Novamente fora puxada para sua realidade e então sorriu, lembando que aquela havia sido uma linda história, tinha amor, e o amor era a melhor parte dela. 
Ela estava tão animada quanto uma criança ficaria ao receber um doce qualquer com amor. No momento em que se virou para guardar seu livro na bolsa a fada que antes era uma estátua saltou em cima da mesa, ela havia ganhado vida, e olhou para ela que estava tão taciturna quanto estava ao imaginar, mas agora um pouco fascinada, a fada era real? Ou era outra fantasia dela? Ela não o sabia, mas estava fascinada ao ver a diminuta fada loura à sua frente. As asas divertidas estavam movendo-se, ela estava tão admirada com a beleza da fada, por um momento quis tocá-la e saber se ela era real, mas relutou e ficou contemplando a fada, por um bom tempo.
Até que a fada quebrou aquele silêncio:
— Eu te mostrei minha história, escreva-a! — disse a fada por fim, batendo as asas e voltando para a estante, voltando a ser estátua.
Naquele dia Carolina voltou à sua casa animada e sorridente, sentou na frente de seu computador e iniciou um lindo romance, em poucas horas tinha um título. E aquela história seria um sucesso! A própria fada havia chamado-a para entrar na loja naquele dia, pois somente ela não deixaria aquela história morrer. Ela era especial, e a fada o sabia. E em algum dia aquele livro ganharia o mundo, como uma linda história de amor. 


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Sabe quando você imagina o quê seu escritor preferido estava pensando quando começou um de seus livros? E quando é o livro que você mais gosta? Sim, eu o fiz! Do nada imaginei isso, fiquei pensando em como a Munhóz havia se inspirado para "O inverno das fadas", e fiquei completamente fascinado com isso. E, baseado em uma experiência que eu tive hoje no shopping, eu escrevi esse conto.  Seria formidável se ela o visse... 
Se ela chegar a ver: Eu sou muito seu fã, espero um dia lhe conhecer em algum evento de lançamento futuro de livros. Obrigado por escrever ótimas histórias! 
"Eu não escolhi as fadas, eu acredito que elas me escolheram". É uma ótima explicação. Mas eu ainda acredito que ela seja uma fada. 

Que as fadas te iluminem! 
Jairo Sarfati

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