Carolina
havia acabado de chegar ao shopping, como de costume ela andou até a sorveteria
comprou um sorvete. Aninhou o livro de “As Brumas de Avalon” debaixo do
braço e começou a andar pelo shopping tomando seu sorvete. Ela sentou-se em um
banco em frente a uma loja de roupas, guardou o livro na bolsa, jogou o
guardanapo no lixo e ficou olhando para os modelitos
que estavam expostos à vitrine. Ela imaginava-se os trajando, ela adorava moda,
mas aquilo era comum à toda menina. Seu corpo não era tão voluptuoso quanto os
corpos daquelas modelos de revistas de moda, mas ela reservava curvas e
delicadeza. Ela era linda, uma beleza de outro mundo. Ela havia acabado de completar 20 anos e já se sentia mulher adulta e resolvida,
embora a muito não trabalhasse, ela havia deixado seu emprego há pouco. Pois queria dedicar-se mais ao seu dom.
Ela entrou na loja, pegou algumas roupas e foi
ao vestiário experimentá-las. Depois de colocar uma blusa de cor amarela,
arrumou seus cabelos louros cacheados em suas costas. Ela sentia-se linda. Mais
do que já era. Após decidido, foi ao caixa e pagou pela blusa. Saindo com sua
sacola de papel, aquilo era "o poder" para algumas mulheres, ela se sentia
"o máximo". Continuou caminhando pelo shopping, e parada em frente a
uma loja, ela sentia uma sensação estranha em seu corpo, era algo na loja que a
chamava.
Aquela
era uma loja de esoterismo, as vitrines estavam cheias de santos, cristais
estranhos e joias. Ela não entendeu o que sentia, mas uma voz a convidava a
entrar. Ela o fez. Observando muitos relógios nas paredes e os móveis
vitorianos que enfeitavam a loja. O aroma de incenso fazia-lhe sentir-se calma.
Havia uma mesa vitoriana com cadeiras rococó. Ela sentou-se e brincou com os
cristais do pequeno abajur que estava sobre a mesa. Ela não escutava mais
"o convite", mas continuava ali. Ela se sentia confortável com os
aromas da loja. Seus olhos vagaram ao redor da loja. Ao olhar para uma estante
ao lado, viu muitas estátuas de fadas, por um momento ela imaginou uma história
de amor entre uma fada e um humano, outrora a história de amor fora entre um
bruxo e uma fada, ela era uma menina bem fantasiosa, mas tinha um talento
incrível. Retirou de sua bolsa o exemplar de "A Senhora da Magia" e
ficou lá, calma, lendo, mas novamente escutara a voz. Quando olhou para o lado
novamente deu de cara com as fadas, e viu uma fada tão loura quanto ela e tão
linda quanto. Ficou observando para a mesma por horas e por um momento sentiu
que a mesma havia se movido. Ela deixou a imaginação viajar, sua mente já
estava em outra realidade, e por um momento viu a fada loura beijando um homem
moreno e bonito. Não demorou muito e ela já tinha atribuído-os nomes. Ela vira
uma história de amor, mas bem complicada.
Novamente
voltou àquela realidade e olhou para a fada parada. Aumentando seu campo de
visão ela pôde ver ramos negros nos braços da fada, e então se questionou o
porquê daquela fada ter tatuagens.
As
asas eram divertidas e lindas, mesmo sendo parte de uma estátua elas
demonstravam toda a fragilidade das mesmas. Ela
é linda, pensava Carolina. Novamente fantasiou e viu outra fada, mas aquela
era diferente, vestia-se com uma mortalha, tinha olhos laranjas em fogo e
parecia má. Ela estava dando medo à fada loura, que ela havia chamado de Sophia.
Que não se deixou abater pelo medo que a fada lhe dava.
Novamente
voltou à realidade e começou a pensar no que vira. Era uma vilã, sua história
tinha uma vilã, e então começou a pensar e pensar, logo já tinha um nome para
sua vilã.
E
num ato final de fantasia ela viu o homem moreno, que ela havia chamado de
William, beijando a fada em um círculo cheio de flores. Era um lindo festival de primavera, pensou.
Era aquele o final da história? Perguntou-se. Novamente fora puxada para sua
realidade e então sorriu, lembando que aquela havia sido uma linda história,
tinha amor, e o amor era a melhor parte dela.
Ela estava tão animada quanto uma criança ficaria ao receber um doce qualquer com amor. No momento em que se virou para guardar seu livro na bolsa a fada que antes era uma estátua saltou em cima da mesa, ela havia ganhado vida, e olhou para ela que estava tão taciturna quanto estava ao imaginar, mas agora um pouco fascinada, a fada era real? Ou era outra fantasia dela? Ela não o sabia, mas estava fascinada ao ver a diminuta fada loura à sua frente. As asas divertidas estavam movendo-se, ela estava tão admirada com a beleza da fada, por um momento quis tocá-la e saber se ela era real, mas relutou e ficou contemplando a fada, por um bom tempo.
Ela estava tão animada quanto uma criança ficaria ao receber um doce qualquer com amor. No momento em que se virou para guardar seu livro na bolsa a fada que antes era uma estátua saltou em cima da mesa, ela havia ganhado vida, e olhou para ela que estava tão taciturna quanto estava ao imaginar, mas agora um pouco fascinada, a fada era real? Ou era outra fantasia dela? Ela não o sabia, mas estava fascinada ao ver a diminuta fada loura à sua frente. As asas divertidas estavam movendo-se, ela estava tão admirada com a beleza da fada, por um momento quis tocá-la e saber se ela era real, mas relutou e ficou contemplando a fada, por um bom tempo.
Até
que a fada quebrou aquele silêncio:
— Eu
te mostrei minha história, escreva-a! — disse a fada por fim, batendo as asas e
voltando para a estante, voltando a ser estátua.
Naquele
dia Carolina voltou à sua casa animada e sorridente, sentou na frente de seu
computador e iniciou um lindo romance, em poucas horas tinha um título. E
aquela história seria um sucesso! A própria fada havia chamado-a para entrar na
loja naquele dia, pois somente ela não deixaria aquela história morrer. Ela
era especial, e a fada o sabia. E em algum dia aquele livro ganharia o mundo, como uma linda história de amor.
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Sabe quando você imagina o quê seu escritor preferido estava pensando quando começou um de seus livros? E quando é o livro que você mais gosta? Sim, eu o fiz! Do nada imaginei isso, fiquei pensando em como a Munhóz havia se inspirado para "O inverno das fadas", e fiquei completamente fascinado com isso. E, baseado em uma experiência que eu tive hoje no shopping, eu escrevi esse conto. Seria formidável se ela o visse...
Se ela chegar a ver: Eu sou muito seu fã, espero um dia lhe conhecer em algum evento de lançamento futuro de livros. Obrigado por escrever ótimas histórias!
"Eu não escolhi as fadas, eu acredito que elas me escolheram". É uma ótima explicação. Mas eu ainda acredito que ela seja uma fada.
"Eu não escolhi as fadas, eu acredito que elas me escolheram". É uma ótima explicação. Mas eu ainda acredito que ela seja uma fada.
Que as fadas te iluminem!
Jairo Sarfati

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