sexta-feira, 24 de maio de 2013

Maré nostálgica

Que maré nostálgica. É como se eu fosse bombardeado por todas as coisas não boas que eu já fiz. Como se meus poucos esforços bondosos tivessem sido apagados com algum tipo de borracha sádica. Como se meu barco de boas intenções tivesse naufragado no mar das péssimas memórias. Mesmo mantendo os olhos fechados ou abertos, mesmo mantendo a boca aberta, na tentativa de gritar por socorro, fechava-a para não adentrar água. Ninguém me escutaria, estou perdido no meio desse vasto mar. Eu fora tão cruel assim? O que eu fiz? Não posso começar de novo, mesmo que minha fé em mim mesmo esteja abalada? Eu só estava procurando um lugar tranquilo onde eu pudesse descansar minha cabeça de tudo de ruim que já me acontecera.
As memórias ruins adentravam meu corpo como água. Quebrando cada molécula de bondade de meu corpo. O gosto salgado era diferente do amargo da tristeza, era agonizante. Meus pulmões estavam quase sufocando, estou me afogando. Meu corpo estava sem reação, sem movimento, eu apenas me sentia afundando, cada vez mais e mais. E esse seria o fim de meus dias, afogado em arrependimentos de coisas que fiz e de coisas que não fiz. As coisas que não fiz eram as que me sufocavam, as escolhas erradas que fiz eram as que me afogavam; as que me puxavam para baixo. Cinquenta mil lágrimas eu havia chorado.
Minha mente lutava bravamente para não desligar-se, já que meu corpo recusava-se a se mover. Eu não conseguia nadar, não iria submergir, eram como mãos humanas que me puxavam. Mãos de pessoas cruéis me puxavam para baixo, e cada vez mais baixo e mais baixo.
Era meu fim, morreria afogado em palavras que não dissera.
Meu cérebro estava cansado de lutar, e aos poucos ia se desligando, lento, lento e mais lento.
Logo adormeceu...

Despertei com um toque em meu braço, algo me puxava para fora. Eu estava atônito. Meus olhos estavam fechados, meu corpo inerte, minha mente distante, quase morta. Mas aquele toque me despertou de alguma forma. Cada vez mais me sentia perto da margem segura. Até que lábios tocaram os meus. E meus pulmões voltaram a bombear ar para todo o meu corpo, meu cérebro despertou e quando meus olhos se abriram. Eu estava de frente da pessoa amada, a qual nunca dissera: Eu te amo.

E eu estava salvo.

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