Voamos muito rápido, apenas se podia ver floresta, Maine era coberta em sua maioria por florestas. O vento estava ameno e o sol não estava muito forte, eu estava curtindo um pouco o vento em meu rosto e o sol que atingia minha pele pálida. Voamos por pelo menos uma hora.
— Estamos quase lá. — Disse John. — Fastus!
— Fastus! Você acha que será muito difícil lutar contra eles? — Eu estava temerosa, com tudo o que aconteceu com Samuel e a magia negra.
— Nós iremos conseguir.
Voamos por mais meia hora e um portal negro se abriu sobre as nuvens brancas e o céu azul. O mesmo portal que me trouxe até aqui. Duas bolas de fogo saíram de dentro dele e aterrissaram na floresta. John aterrissou também e eu fui logo atrás. Nós nos escondemos atrás de um pinheiro e apenas ficamos observando os dois bruxos que foram mandados para essa dimensão.
Eram um homem e uma mulher, a primeira que eu pude notar foi a mulher que estava ajeitando as vestes após a sua queda. Ela tinha um cabelo que se iniciava negro, que a partir do local onde ele se encontrava preso ele continuava loiro com as pontas de um rosa vibrante. Seus olhos eram policromados como os meus um rosa e o outro lilás. Aquilo me dizia que ela havia feito algum contrato semelhante ao meu. Seu corpo era voluptuoso, bastante encorpado e os talhes de seu rosto pareciam que haviam sidos desenhados. Ela trajava roupas semelhantes as que eu havia chegado a esse mundo, um vestido branco de mangas compridas.
O homem tinha talhes do oriente de Starnie, olhos meios repuxados cor de âmbar, sua pele era tão branca quanto a minha e semelhante a pele da mulher. Sua boca era carnuda e seu nariz afilado. Seu corpo era largo e musculoso, digno de um guerreiro, braços largos e fortes, pernas grandes e torneadas, tinha um peitoral trabalhado, típico de um guerreiro do oriente. Ele trajava roupas de guerreiro.
— Hideki, eu sinto que estamos sendo observados. — Avisou a mulher. A voz dela era fina, suave e adocicada.
— Saia de trás dessa árvore e encare-nos. — Exclamou o homem, Hideki, sua voz era máscula e bastante graciosa, era uma linha tênue entre grosseria e leveza.
— Eu não estou me escondendo. — Disse John saindo de trás do pinheiro. — Volte para a dimensão de vocês, aqui não é lugar para pessoas como vocês.
— Como você sabe que aqui não é nosso lugar? — Disse a mulher.
— Não se meta Luka, esse assunto é de homem pra homem. — Bradou Hideki.
— Ele não está só, eu vejo que há outra bruxa com contrato mágico entre nós. Saia menina.
Era como eu havia presumido, uma bruxa com contrato podia sentir a outra.
— Parem com esse bláblá e digam logo o que vocês vieram fazer aqui. — Gritou John.
— Viemos matar o mestiço. — A voz de Hideki era grave e me assustou. Olhei para o seu braço e não havia sinal algum da marca negra. Ele nunca havia matado. Olhei para a mulher também e ela também não tinha a marca negra. Eles eram bruxos que usavam magias brancas. Presumi. — Você sabe onde ele se encontra?
— Sim sei, esse sou eu. John Starling. O mestiço.
— Então você veio até sua morte? —A expressão de Hideki estava difusa, eu não conseguia identificar, estava entre a raiva e a dor. Luka se escondeu atrás dele. — Bem, menos trabalho para mim. Luka você cuida da bruxa e eu cuido do mestiço.
— E quem cuidará da feiticeira?
— Que feiticeira? — Perguntou ele.
— Você não sentiu o mau-cheiro? Tem uma feiticeira aqui também.
— Deixe Elisabeth em paz! — Gritou John novamente.
Apressei-me.
— Protectus! — Lancei em Elisabeth. — Guardian Libertus! Rápido Stern leve Elisabeth para longe. Spelus! — Ataquei a mulher.
— Protectus! — Defendeu ela. — Tulos! — Ela lançou bolas de fogo em mim. Eu desviei.
— Corus Forus! — Lançou Hideki em John.
— Protectus! — John defendeu-se. — Acquos Fobus!
Luka começou a correr. Eu saí correndo atrás dela. John e Hideki continuaram lá batalhando.
— Você não tem coragem de me enfrentar? — Afrontei.
Ela continuou a correr.
— Transportium! — Ela desapareceu.
Ela surgiu por detrás de mim e pôs o braço em volta do meu pescoço. Ela estava me sufocando, cada vez mais e mais. Eu não conseguia falar, não conseguia proferir nenhuma magia. Eu senti o braço dela ceder, estava deixando o ar passar novamente por minha garganta. Ela soltou-me e se jogou no chão, seus olhos começaram a lagrimejar.
— Não isso não vai acontecer mais uma vez. — Disse ela. Eu não estava entendendo o que havia acontecido. — Transpontium!
Eu voltei correndo para onde John estava. — Fastus!
Luka chegou quase ao mesmo tempo em que eu.
— Solte-o Hideki, eles não estão errados nós estamos. Quando eu toquei a bruxa eu vi toda a dor que eles estão passando. E a mesma dor que nós tivemos ao perder nossa mãe para Magnus. A culpa da morte do nosso pai não é dele ela é inteiramente de Guilherme. Ela que assassinou sem piedade todos os bruxos que se recusaram a vir para esse mundo.
Hideki caiu no chão com uma expressão de dor. Como se aquelas palavras o atormentassem. Então todos os bruxos que se recusaram a vir, foram mortos, então Guilherme havia envenenado eles contra nós. A dor deles era semelhante a nossa.
— Isso é errado, nós somos os errados. — Continuou Luka.
— Eu não deixarei que a história se repita minha irmã. — Ele ficou de pé. — Nós lutaremos ao lado deles e não contra eles. — Hideki abraçou John. — Você nos aceita como seus aliados?
— Nós vos aceitamos como amigos! — E Luka deu um sorriso. — Vamos, lhe mostrarei nossa casa. — Embora John tenha acabado de conhecê-los e eles tenham tentado matá-lo, eles eram aliados e John acreditava neles. E eu também.
Luka e Hideki, aquele seria o início para uma grande amizade.
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