Atordoadamente saí correndo daquela escola, eu não queria mais me deparar com nenhum rosto daquele local, cenário de minha tristeza e de minha ruína pessoal. Cada lágrima que em mim escorria era uma lembrança de cada risada proferida. Talvez eu nunca tivesse me apaixonado, fui boba, fui tola e ingênua. E minha correria se seguiu não conseguia ver o que estava à minha frente, apenas lágrimas era o que eu conseguia produzir e nada mais.
– Cuidado menina. – Uma voz nada familiar soo atrás de mim, não liguei e continuei a correr e logo iria me deparar com o objeto do qual ele havia mandado eu tomar cuidado.
– Beeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeenn. – E esse foi o último som que consegui escutar. Uma baque me veio juntamente com aquele som e aquilo realmente era meu fim. Sentia o gosto úmido e quente que era o sangue que por minha boca estava a fluir. Poderia descansar de cada risada e realmente nunca mais veria ninguém daquela escola e nem nunca lembraria aquelas memórias. E aos braços da morte me entreguei. Quem diria que a morte seria o alívio para toda aquela dor. Não pude mais resistir.
Semicerrei os olhos tudo o que via era uma luz forte, então era assim que o céu era.
– Não aqui não é o seu lugar. – Uma voz branda e fina escutei, virei-me para ver de onde aquela voz vinha. E me deparei com uma criancinha loira de olhos grandes de um azul celeste. Nunca em toda minha vida eu havia visto criança mais bonita. Melhor dizendo em toda aquela minha existência patética eu nunca havia visto criança provida de tal beleza.
– Onde eu estou? – Perguntei. A criancinha que longe estava começou a andar em minha direção. Logo estava ao meu lado.
– Você está na passagem entre a vida e a morte. – Não era exatamente uma resposta que eu esperava. – Não era sua hora. – Entrei em uma onda de pavor. – Sua missão ainda não foi comprida.
– Que missão? – Perguntei.
– Venha comigo eu vou lhe mostrar. – E ela estendeu a mão para eu segurar. Obedeci aquela mão extremamente pequena e delicada. E de repente estávamos voando pelo céu. Cruzamos uma enorme nuvem e eu podia avistar uma pequena cidade. Aquela cidade me parecia familiar. Quanto mais nos aproximávamos mais ela me parecia familiar. Aquela era minha cidade natal, minha velha Londres. Depois de mais alguns minutos de voo estávamos perto do bairro onde aconteceu a minha tormenta e minha ruína. – O distrito escolar –, lágrimas tomaram conta de meu rosto novamente, eu não sabia que se era possível chorar após a morte. Logo estava de cara com meu corpo, ensanguentado estirado no chão. Havia muitas pessoas em volta dele. O carro que havia me matado estava parado mais a frente e o motorista era um dos poucos que choravam aquele cena, Talita era outra que em lágrimas se derramava. Não havia nenhum sinal do aparecimento de meus pais. Pior de tudo aquilo era que, os causadores da minha ruína inicial estavam presentes. – Essa é você em seu pior estado, sua morte não foi premeditada. Nunca esteve em nossos planos tal morte para você. – Tudo aquilo estava sendo difícil de assimilar, ver meu corpo morto foi realmente a pior cena que meus olhos já fitaram. Desperdiçamos mais algum tempo a observar aquela cena, logo via-se minha mãe em desespero, chegando à aquela cena.
– Me tire daqui, não suportarei ver minha mãe chorar. – Falei, ainda com meu rosto banhado em lágrimas.
Então a criança, que a meu ver era um anjo, segurou minha mão novamente e me levou para outro local familiar para mim. O maior hospital de minha cidade. Atravessamos a parede como se ela fosse uma poeira que poderia ser facilmente penetrada. Logo estávamos diante de uma menina de uma beleza singular, de pele branca e cabelos loiros. Ela parecia estar à dormir, também havia uma mulher ao lado dela que chorava.
– Pobre Sophia, sua morte era premeditada, mas ela é tudo que sua mãe tem. – A menina falava em um tom de comoção, ela parecia realmente se importar com aquela menina sobre a maca ligada a todos aqueles aparelhos. – Os médicos lhe disseram que não havia mais nada a fazer pela filha. – E o coração daquela menina estava começando a diminuir o ritmo das batidas. Então sua mãe começou a entrar em desespero e logo os médicos entraram na sala e iniciaram uma tentativa desesperada de animar a menina. – Agora sua hora chegou.
– Minha hora? Eu já morri, o que mais me resta? – E a menina agarrou-me pelas costas e me levou para perto da menina sendo reanimada. E de forma abrupta ela me empurrou para junto da menina. Minha alma estava sendo sugada para dentro daquele corpo. E eu continuava sem entender o que era aquilo.
– Aproveite a sua nova vida. – E aquela menina se foi com uma pequena risada. Ao lado dela ia o fantasma daquela menina que estava na maca. Ela não parecia estar triste e sim conformada com aquela situação e com um sorriso ela se foi.
Minha alma estava sendo sugada pelo corpo daquela menina incrivelmente bonita. Não adiantava lutar contra aquilo, me parecia inevitável. Então me rendi.
Um baque elétrico atingiu meu corpo. E então abri meus olhos.
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