terça-feira, 23 de abril de 2013

Você conhece a minha história?

Não quero comover ninguém, nem muito menos fazer com que você fique revoltado ou algo do gênero, se bem que é algo que ninguém realmente iria fazer. Resolvi contar um pouco da minha história, pois ela de forma direta me fez começar a escrever. Meus problemas começam em minha infância solitária, nunca tive muitos amigos, sempre fui isolado. Eu achava amizade em objetos, assim como Charlotte, eu conversava com amigos imaginários, lembro-me até hoje que minha amiga imaginária tinha os cabelos pretos e uma mecha azul-turquesa. Pele extremamente branca e com olhos policromados. Bem... Lexi era minha única, e verdadeira amiga. Meu gosto por contar histórias surgiu em minha infância, quando eu ficava imaginando várias e várias aventuras com a Lexi. Além de contar histórias para o nada. Eu tinha apenas 7 anos, afinal. Dessa forma permaneceu por um bom tempo... Na escola eu não tinha praticamente nenhum amigo, as pessoas não se esforçavam muito para falar comigo, por ter 7 anos eu achava que aquilo era normal. Então com o tempo me acostumei. Com oito anos eu comecei a fazer amizades maravilhosas, amizades com os personagens de livros, lembro-me que o Menino de Asas foi meu primeiro amigo nesse meio. Explicando minha fascinação por anjos. Interações com pessoas da minha idade, e "amigos" eram apenas com meus primos, que eu comemorava e pulava de alegria ao vê-los nos finais de semana. Pegava revista em quadrinhos e ficava lendo para eles, e, então, eu não contava mais histórias para amigos imaginários e sim "amigos" de verdade, eu coloco entre parênteses, pois por serem minha família não é bem classificado como amigos. 
Quando foi na quarta série eu mudei de escola, minha vida estava um caos, eu detestava aquele lugar. Sempre usava preto, ou verde, ou cores escuras, eram minhas cores de uso diário. Chegava cedo participava das aulas. Parece perfeito? Claro que não. Meus "colegas" de classe sempre me apelidavam. Eu nunca cheguei a criar laços de amizades. Sempre fui taxado como feio, gordo, estranho, maluco e "cabeçudo". Aquilo me entristecia, e cada vez mais ficava difícil conviver com aquilo, os anos foram se passando, mais e mais, logo já estava no nono ano, quando nada melhorou. Nunca era escolhido primeiro para nada, nunca era reconhecido por nada, não tinha atenção de ninguém. Exceto quando era para xingar, aí todos me davam atenção. 
Eu nunca levantava minha mão para opinar para algo, pois sempre era ridicularizado, sempre guardei minhas opiniões e pensamentos para mim. Até começar a frequentar eventos de Animes, eu sofria bullying na escola por frequentar esse tipo de evento. "É coisa do demônio!", "É coisa de criança boba!", "Quando vai crescer, cabeção?". Eram essas as coisas que eu mais escutava, mas eu não ligava. Nesses eventos foi onde eu finalmente fiz amizades verdadeiras, amizades que ficariam comigo até os dias atuais. Pessoas que gostavam das mesmas coisas que eu, e que tinham uma história parecida. Ótimo, me sentia entendido e adorado, por alguns em poucos tempos, mas infelizmente aqueles eventos só eram duas vezes ao ano. 
Eu nunca era chamado para aniversários, e nunca tinha amigos para chamar para meu aniversário, que horrível. Chegou um período em que todos deveriam escrever redações sobre suas férias e ler para toda a sala. Minha redação foi vaiada, e alguns termos foram usados como zombaria por um bom tempo. Eu nunca havia sido tão humilhado em minha vida. 
Ensino médio, olha que legal? As coisas vão melhorar! NÃO MESMO. As coisas ficavam apenas pior, apelidos, xingamentos e certas humilhações. As pessoas me usavam como tapete, sempre pisavam em mim, descontavam suas raivas, eu aguentava calado, sem reclamar. Nunca fui de reclamar. Foi nesse ano em que eu conheci duas pessoas que mudariam minha vida para sempre. Essas duas pessoas foram Allan e Diana. O Allan eu nunca havia o visto pessoalmente, mas todos os dias eu conversava horas e horas com ele pelas redes sociais. Ele era um ótimo amigo e ouvinte. Diana, é minha amiga no cosplay, ela era um doce de pessoa e eu a adorava. Era a pessoa a qual eu procurava para falar de tudo. Ela me chamou para ser aniversário, que foi ótimo. Era a primeira festa de aniversário de um amigo de verdade que eu ia em minha vida. Foi uma das melhores noites da minha vida. Eu fiz novas amizades, Loana, Renata, Will, Sarah, Carol e Cleiviane. E algum tempo depois conheci Guilherme e Alice. 
Nesse período de minha vida eu me sentia um sem talento, não que eu tenha algum ainda, mas eu não havia descoberto algo que eu pudesse ser bom. Quando eu escrevi meu primeiro poema e mostrei para o Gui, ele simplesmente adorou e me incentivou a continuar. Ele era a pessoa mais inteligente que eu conhecia, em minha opinião. Desde então eu escrevo, e ele sempre lê tudo o que eu faço. 
No segundo ano Médio, fizeram uma lista de meninos mais "feios" da sala, e eu fui colocado em segundo lugar. Nunca havia me sentido pior, aquilo acabou com toda a autoestima que eu não tinha. Foi daí que eu comecei a escrever "O Starling", Renata minha estrelinha me dava forças e me fazia sorrir, ela e o Allan. Foi nessa época da minha vida que tudo melhorou, eu fiz vários e vários amigos, comecei a ter uma "vida-social" como ir ao cinema com amigos, ir a restaurantes, passar horas conversando com as pessoas. Isso era ótimo. Mas minha autoestima não estava nada legal, eu não me alimentava direito, chegando a perder 9 quilos em dois meses. Eu nunca havia emagrecido tanto. Me tornei complexado, com complexos de peso e aparência. Eu literalmente não gostava de mim. Mas vários e vários amigos me ajudaram com isso. 
Aí nesse momento novamente que entra Lexi e Sophia em minha vida, uma menina que do nada entrou em minha vida, seu nome é Vitória Passos, ela era idêntica a minha amiga imaginária da infância! Aquilo me assustava, mas como diz ela: "Quem sabe eu não seja a mesma da sua infância, só que agora que resolvi aparecer", e eu acredito nisso. Sophia, é minha Lilly, que mesmo com seus problemas de baixa autoestima, é linda e é fantástica. Ela me inspirou a fazer a escrever a Sophia. 
Bem, minha vida melhorou consideravelmente depois dessas amizades, Ully era a pessoa que mais acreditava em mim, Hideki o cara que nunca me deixava desistir. Hoje, tudo está "bem", mas ainda continuo a sofrer Bullying, por enquanto eu não abandonar aquele inferno, nada vai melhorar. Mas eu já não aguento calado, eu tenho amigos para quem desabafar, especialmente a Ray, que é a pessoa que eu ligo às duas da manhã, às vezes chorando até-sem-razão. 
Pessoas me perguntam: Por que você é tão carinhoso com todos? 
Simples, porque eu sou assim, e eu gosto de cativar as pessoas com o meu melhor, seja legal comigo e eu vou ser legal com você. 

Don't give up!
J. J. Sarfati

Nenhum comentário:

Postar um comentário